terça-feira, 7 de abril de 2009

TANZÂNIA 16 – A arte de pechinchar.

Jambo !

Antes de mais nada: descobri uma coisa muito legal para o meu bolso ao entrar no extrato bancário da minha conta aí no Brasil. Todo o dinheiro que saquei aqui na Tanzânia em ATMs foi num câmbio que é 1.000TZS = R$1,70. Eu estava fazendo sempre a conta de 1.000TZS = R$2,00. Viva a globalização !!! E a possibilidade de sacarmos dinheiro em qualquer lugar do mundo.

Falando em dinheiro... Ir num mercado local e fazer pequenas compras é uma aventura ! Nada tem preço fixo. Desde táxis, cortes de cabelos, tudo que se refere a serviços, que se vende nas feiras, nos mercados e artesanato, nada tem preço fixo. E aí entra a arte de pechinchar. Eu realmente não sou um bom comprador por natureza, mas aqui eu tive um curso intensivo de “Compras”. Estou apto há deixar a carreira de vendas e começar uma nova carreira como comprador !

Alguns exemplos:

Táxi do Outpost Lodge para a TATO. No primeiro dia perguntamos quanto era e o taxista do hotel disse que era 5.000TZS. No final do dia conversando com o Victor, da TATO, ele nos disse que estava caro. Conseguiu um taxista que faria o mesmo percurso por 3.000TZS. Viramos fregueses do Said – o tal conhecido do Victor. A parte engraçada é que ele fala o básico de inglês e passamos poucas e boas (eu e a Glória). Vou ainda dedicar um ou mais posts sobre comunicação e o meu amigo Said será mencionado novamente. Reparem: uma redução de 40%. Hoje aqui em Zanzibar peguei um táxi do hotel para o mercado central. Preço da ida (tabelado no hotel): 7.000TZS. Preço que conseguir pechinchar na volta pegando um táxi na porta do mercado: 3.500TZS - redução de 50% ! Será que o Said está cobrando o preço justo ? Boa pergunta. Sei lá ! Não faço a mínimo idéia !

Fui um dia comprar algumas bobagens de artesanato em Arusha. Separei algumas coisas e perguntei quanto era tudo. A moça me disse que eram US$200,00. Usei da técnica que já aprendi logo no começo: “In Shilings, pls!!!”. Ôook.. 200.000TZS (detalhe: só ai, já reduziu mais de 25%, pois o câmbio é US$1,00 = 1.340TZS. Ai eu disse para ela em tom de brincadeira: “You are crazy ???”... Moça - “Diga-me quanto você paga ?” Eu – “Não, diga você quanto vale !” Moça - “Ôook.. dê-me 150.000TZS”.... Eu sentido a temperatura ofereci 80.000TZS... conversa vai... conversa vem: levei tudo por 100.000TZS + um zebrinha que tava dando sopa... Fazendo as contas dá uma redução de inacreditáveis 73%!!!

E hoje foi o ápice: andando nas vielas de Stone Town - Capital de Zanzibar - (Aliás, programa imperdível. Vou falar de Zanzibar nos próximos posts) me deparei com vários árabes vendendo especiarias e me interessei por uns sabonetes feitos de especiarias locais. Perguntei para o primeiro quanto era. Ele olhou para mim - pausa... - e disse: “dois dólares ! cada !”. Achei caro prá burro. Disse obrigado e segui meu caminho. Mais adiante encontrei outro árabe com mais coisas no tabuleiro. Lembrei de usar a minha tática de dizer que era do Brasil, país pobre... blá, blá, blá (“Ronaldos !!!”), etc. De cara ele abriu um sorriso e disse que cada um custava US$1,00. Ops !! Captei a mensagem e comecei a minha negociação. Queria comprar 10 (5 de cravos e 5 de canela). De cara falei para ele me dizer o valor em shillings. Não deu outra: “Ôook.. 10.000TZS”. Eu: “Amigo, quero comprar 10 !!! dou 5.000TZS !.... depois de uns 5 minutos de negociação: levei pelos 5.000TZS !!! R$0,85 cada !

Acompanhem: US$ 2,00 = R$4,60 x 10 = R$ 46,00. Paguei 5.000TZS=R$ 8,50. Redução de 81,52%.

Será que paguei bem ? Só Deus e Alá é que sabem !!!

Ontem em Zanzibar após o mergulho tinha que pegar um táxi do centro de mergulho para o hotel (aprox. 1km). Quanto é o táxi para Mnarani Beach ? 15.000TZS. Você está louco !?!? O hotel fica aqui bem pertinho... Ôook..10.00TZS. Amigo, você está realmente louco. Obrigado ! Ei.. ei.. Ôook.. faço então por 5.000TZS. Realmente dessa vez não deu ! Dei um sonoro “Esqueça !” para o cidadão e fui caminhando pela praia. Trinta minutos caminhando pela praia não mata ninguém !

Dessa vez a redução foi de 100% ! Desculpe a economia de Zanzibar, mas tudo tem limites.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

TANZÂNIA 15 - Hakuna Matata !

Passar um mês num país é uma experiência fantástica em todos os aspectos. Nesse dias por aqui realmente dá para sentir um outro ritmo “africano” de ser. Aí no Brasil entenda-se aquele ritmo “baiano” e quem conhece o Maranhão sabe o que eu estou falando... “Hakuna Matata” e “Pole Pole” é o que mais se escuta.

Hakuna Matata - “It means no problems...” Lembram do Rei Leão ? Pole Pole - Significa mais ou menos o seguinte: Devagarzinho.. devagarzinho... ou ‘sem stress...” ou na tradução para o dicionário cearense; “Calma aí macho, vamô devagar !!!” ou para o dicionário baiano: “Calma aí meu rei !!!”. As lojas fecham às 17:00hs. Aqui na TATO todos saem religiosamente às 17:30. Duas horas de almoço são sagradas. Horário de reuniões... esqueçam ! Marcam-se as reuniões assim: “Amanhã pela manhã nós nos reuniremos.. ok ?” Na primeira vez cai na besteira de perguntar que horas seria a reunião e a resposta foi: “Pela manhã !”. Depois relaxei. Até por que se a reunião acontecer mesmo pela manhã no dia seguinte já será um milagre. Ah ! E vocês pensam que alguém avisa que a reunião foi desmarcada ? Que nada ! Depois alguém nos procura e diz: “Nossa reunião de hoje mudou para a tarde.. ok ?” Isso já depois do almoço !

Ontem eu fui comprar a passagem aérea para Zanzibar (vou para lá amanhã - sábado). Saí da TATO por volta das 13:00 horas, almocei rapidinho e fui lá na esperança de até às 14:00 horas estar de volta na TATO. Cheguei às 13:30 no escritório da empresa aérea. Só eu e mais quatro funcionários. Gastei inacreditáveis 01 hora e 10 minutos para emitir um simples bilhete aéreo. Vocês acreditam nisso !!! Cheguei na TATO quase às 15:00. Vou tentar (pena que não gravei !!!) mostrar como foi a conversa em algumas linhas.

1 - Eu: Jambo ! Quero comprar uma passagem ida e volta para Zanzibar. Ida sábado dia 04 e volta na terça dia 07. Poderia me confirmar os horários e valores ?

2 - O tiozinho: ÔOOK. (tudo eles começam com esse ÔOOK). Zanzibar.. Hum... “Sure !!!” Zanzibar !!! Sim ! Temos vôos para Zanzibar. (Pausa)

3 - Eu: Eu sei ! Idem 1.

4 - O tiozinho: ÔOOK. De onde você é ?

5 - Eu: Brasil. (Caí na besteira de dizer que era do Brasil ! Foram mais ou menos uns 20 minutos com todas as perguntas sobre o Brasil que vocês possam imaginar e mais alguma coisa sobre o Maradona e a Argentina !).

... 568 - Eu: Senhor, desculpe. Mas realmente tenho um compromisso e preciso ver a passagem.

569 - O tiozinho: Hakuna Matata !!! (o primeiro de muitos). Quando que o senhor quer ir mesmo para Zanzibar.

570 - Eu: Idem 1.

571 - O tiozinho: Deixe-me ver ! Ai tocou o telefone e ele atendeu ! Por baixo uns 15 minutos. A conversa foi em inglês com um cliente.

572 - O tiozinho: Ok. Aqui está ! (Ele me deu as opções de horários via KIA ou Arusha e os valores que são iguais).

573 - Eu: A minha opção é por KIA ! - Ele ficou por 10 minutos tentando me convencer que seria melhor eu ir por Arusha já que o translado para o aeroporto é sem custos a partir da loja do centro e para Kilimanjaro ia me custar 10.000 shilling (R$ 20,00). Expliquei a ele que se eu fosse por Arusha eu ia perder o sábado inteiro e a terça-feira também. Ele não conseguiu entender por que eu estaria disposto a gastar 10.000 shilings somente para ganhar um tarde de sábado e outra tarde da terça-feira em Zanzibar. Ok ! Eu venci !

Ai toca o telefone de novo ! (dessa vez foi mais curta a ligação... uns cinco minutos !).. Ufa ! Dessa vez a conversa foi em Suaíle. Ele desliga e começar a teclar no computador. Mais 05 minutos... Eu em silencio e ele teclando... Eu pergunto: 74 - Eu: Tudo ok ?

575 - O tiozinho: Um momento por favor. + 5 minutos (no relógio !!!) 576 - Eu: Desculpe, tudo ok ?

577 - O tiozinho: Pole Pole !!! Minha mulher me ligou e preciso ver uma coisa para ela aqui.. Mas já estou terminando !! + 2..3 minutos...

578 - O tiozinho: Ok. Deixe me ver sua passagem. 10 minutos e ele entrega a passagem na minha mão. Eu conto o dinheiro e entrego para ele ! Não aceitam cartões de crédito ! Vocês acreditam nisso ! Uma empresa aérea que não aceita cartão de crédito. Se quiser comprar com cartão de crédito tem que entrar no site da KLM e emitir o bilhete por lá (detalhe: é mais caro !).

Agora vem a parte mais engraçada. Ao sair pensei comigo mesmo: Imagina se eles tivessem um 0800 !!! Atravessei a rua. Andei mais 02 quarteirões e me deparei com essa propaganda da gloriosa Precisionair:




Será que um impala (de novo: é um impala, parece o bambi, mas não é !) me atendendo por telefone ia ser mais rápido ?

Vou voltar outro dessa viagem. Hakuna Matata !!! Pole Pole !!!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

TANZÂNIA 14 - O Orfanto

Fomos ao orfanato todos numa VAN que o Victor providenciou (sem custos). O povo daqui também se ajuda !

Os americanos, o japonês e a inglesa ficaram horrorizados com a pobreza da periferia. O Italiano - que já ficou 06 meses na Zâmbia - o Indiano, a filipina e eu obviamente já vimos bairros mais pobres nas nossas vidas. Uma observação: a Tanzânia perto da Zâmbia é a um oásis de desenvolvimento e bem-estar social.

O Orfanato eu já descrevi na minha primeira visita. Ao chegarmos percebi o quanto foi chocante para os colegas do primeiro mundo a situação do orfanato. Todas as crianças correram a nós. Uma alegria só ! A Colleen (americana) ao colocar o primeiro no colo caiu em prantos e foi assim até irmos embora. O Cris (americano também) no início ficou meio-desconfiado. Sentou num batente e ficou lá observando mais de hora...Depois sacou a câmera chamou as crianças e se entregou. O japonês ensinou as crianças do orfanato e da vizinha toda a arte do origami. A Cristine e a Sally era uma alegria só com as crianças. Vi a hora a Sally enfartar de tanto brincar. O indiano conversou e deu atenção à todas as crianças. A Gloria, o Andréa e Anna (esposa do Andréa) distribuiram os presentes, conversaram com os vizinhos e foram muitos carinhosos com as crianças e com a moça que cuida do orfanato. Eu... bem... não fiz nada de especial. Um pouco de tudo. Vejam as fotos no fotoblog.




Todas as crianças vão para escolas. Seis delas tem patrocinadores estrangeiros que pagam o transporte e a escola privada (ensino em inglês). Cinco delas que ainda não tem patrocinadores vão a escolas públicas. As condições são precárias. Mas deixemos as ajudas financeiras para os europeus e americanos pois temos nossos orfanatos e creches brasileiras que precisam muito de nós. Se você quiser ter um final de semana legal: escolha ai um orfanato no Brasil e passe um dia lá !

Na saída, todos ganharam beijos calorosos das crianças e da moça. Engraçado ver o japonês e o americano sendo beijados no rosto duas vezes pela moça e pelas crianças. De fato o que me encantou foi o carinho das crianças, a felicidade delas e dos meus colegas em estarem ali. Cada um com uma percepção distinta, uma história de vida diferente, um olhar, gestos de carinhos, tudo diverso. Humano.

Foram momentos especiais que eu não vou esquecer.

À noite, no lodge, peguei as câmeras fotográficas e comecei a baixar as fotos. Quando todos foram dormir comecei a passar as fotos – uma a uma – na tela do meu laptop e tive uma crise de choro de mais de 30 minutos... Sei lá por quê !!!

Saudades das pessoas que eu amo, dos meus amigos e da Belinha (minha cadela).

Um abraço forte à todos !

PS: Finalmente consegui sicronizar os textos e as fotos. Estão todas lá: http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/

quarta-feira, 1 de abril de 2009

TANZÂNIA 13 - Os preparativos para a visita ao Orfanato

O resto da semana transcorreu com algumas reuniões na TATO, muita leitura sobre o turismo na Tanzânia, dados - alguns meio duvidosos - relatórios e mais relatórios (papel aceita qualquer coisa...). Cada dia que passa tenho um olhar mais crítico sobre a coordenação e a liderança da TATO na indústria do Turismo da Tanzânia. Falta profissionalismo, estrutura, organização e a proximidade com o partido CCM (partido do governo) me deixa desconfortável. De qualquer forma seguimos com os nossos estudos e pretendemos concluir um material com um conjunto de recomendações de melhores práticas.

Os almoços e jantarem servem para descobrir a gastronomia local e a vida noturna em Arusha me foi apresentada na quinta-feira à noite quando fomos ao “Via Via” . Vou escrever mais adiante sobre isso.

O fato marcante sem dúvida foi a visita que fizemos (eu e a Glória) na quinta-feira após o expediente a um orfanato na periferia de Arusha. Fomos com o Victor que tem uma empresa de publicidade e uma pequena operadora de turismo (o escritório dele fica ao lado da TATO e a empresa é um dos membros associados). É talvez com essa operadora que iremos desenvolver o tema do turismo voluntário. O Victor, o irmão dele e alguns amigos ajudam nesse orfanato.

A periferia de Arusha é para lá de pobre. Um labirinto de vielas sem calçamento. O poder público não passa nem perto. Algumas casas são de tijolos, outras de madeiras. Tudo muito pobre, desorganizado e sujo. Mas ao contrário das favelas brasileiras o clima é de tranqüilidade e de forma alguma passa sensação de insegurança ou medo. A periferia de Arsuha é enorme e se confunde com a zona rural. É tudo muito espalhado. Não há concentração urbana intensa. Ao lado das casas é possível ver pequenas hortas, sítios e plantações.

O orfanato fica numa casa alugada e tem 11 crianças. A maioria entre 4 e 10 anos. O mais novinho tem 1 ano e a mais velha é uma menina de 14 anos – mas qualquer um daria no máximo 9... talvez 10.

A casa se divide em três áreas: um bloco com 02 quartos, outro bloco com uma espécie de saleta minúscula, um quarto minúsculo e um vão que eles chamam de cozinha - não tem nada há não ser um fogareiro no meio - e outro bloco com 02 banheiros. As crianças dormem em beliches amontoadas umas às outras. Roupas e brinquedos velhos espalhados por todos os lados. Uma moça cuida de tudo. Ela resolveu se dedicar a ajudar no orfanato depois que deixaram 02 crianças na porta da sua casa. Uns amigos se juntaram e resolveram formar o orfanato. Alguns parentes da moça ajudam. Todas as crianças à chamam de “Mama” e percebi um real carinho dela para com as crianças e vice-versa. Higiene e organização realmente não são os fortes dela. Dedicação, simpatia e amor são !

No sábado a Glória, a Colleen e Sally (obviamente com o suporte local do Victor) foram ao mercado comprar comida para o Orfanato. Infelizmente perdi isso, pois depois do almoço fui para o quarto e me distrai assistindo a Aljazeera e quando fui procurá-las elas já tinha ido. Uma pena ! Mas depois do relato delas estou louco para ir lá. Talvez na próxima sexta-feira. A conta deu US$ 25,00 para cada um. Foi comida suficiente para 02 meses: Arroz, Batatas, Feijão, Cenouras, Cebolas, Alho, Tomates, Óleo e Açúcar.

Montamos também kits com brinquedos que a Glória trouxe dos USA, cadernos e materiais de pintura (trazidos pela Sally), camisetas (trazidas pela esposa do Andréa). Compramos também balas e biscoitos e colocamos nas sacolas. Isso foi sábado à tarde.

Sábado à noite fomos ao Maasai Camp. Um clube muito legal. Maior e mais cheio que o Via Via. Música eletrônicia, indianos, turistas europeus, um povo estranho, etc, etc. Os preços das bebidas proibitivos... (US$ 5,00 o drinque e US$ 3,00 a cerveja – para nós brasileiros bem caro !)

Domingo almoçamos num restaurante japonês que confesso a vocês... Se eu estivesse sozinho nunca que iria... Mas o povo da IBM é mais doido que eu e lá fomos nós... Indicação do Japonês que tinha almoçado outro dia lá. Eu fiquei num Yakssoba básico (uma delícia.. vou voltar para comer outro). Meus colegas se aventuram nos Sushis e outros pratos mais diferentes Todos adoraram. Eu não tive essa coragem. Falei para o Cris – que ficou enchendo o meu saco – que se todos sobreviverem por 01 semana talvez eu volte e coma Sushi. Mas espero que ele esqueça essa minha promessa, pois eu não estou disposto a cumpri-la. O interessante é que o mesmo japonês dono do restaurante tem uma loja de carros “japoneses” usados nos fundos do restaurante. Ele vai uma vez por mês em Dubai comercializar carros. Vocês acreditam nisso ??? Ir para Dubai comprar carros !!!

Depois disso fomos passar a tarde no Orfanato. Conto para vocês como foram mais tarde. Antes vou tentar colocar as fotos. Só vale a pena vendo as fotos ao mesmo tempo no Fotolog (http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/).

Até mais tarde...

PS: To quase colocando o blog em dia !!!

segunda-feira, 30 de março de 2009

TANZÂNIA 12 - Arusha School

Na terça-feira (24/março) fomos visitar uma escola pública aqui em Arusha. Arusha School East África. A única escola pública de ensino secundário com educação em inglês da região. Existem inúmeras escolas públicas primárias nas zonas rurais e nas cidades cujo ensino do inglês é precário. Ensina-se em Suaíle e mesmo sendo pública paga-se uma taxa equivalente a US$ 400,00 por ano. A escola é grande, quase um campus universitário. Grande parte das crianças moram na escola já que são oriundas das zonas rurais.

Cada período tem três meses, tendo um intervalo de um mês de férias entre cada período. Fomos à escola no último dia de aula do primeiro período do ano. Abril é férias escolares aqui e os alunos retornam para as suas casas.

Não há computadores. Tudo ainda é manual. As crianças são extremamente disciplinadas e educadas. Todas com fardas verde-escuras. A escola tem 900 alunos, sendo que 260 deles moram na escola. A equipe é formada por 71 profissionais, sendo 41 deles, professores.

A maioria esmagadora são crianças africanas, mas há algumas de origem indiana. Em Arusha há muitos indianos e há uma forte presença e influência da cultura indiana devido à colonização nos séculos 17 e 18 na ilha de Zamzibar (por muitos anos Zamzibar foi um sultanato indiano) e região da costa. Portanto, percebe-se uma forte influência da cultura indiana na gastronomia - todo restaurante aqui tem um menu de comida indiana – no comércio, na televisão e na música.

Não vi nenhuma criança branca, nem “Yellow” como eles chamam os nossos “Morenos”. Todos os “Yellows”, brancos e a maioria dos indianos - que em geral são de classe média ou comerciantes - estudam em escolas privadas ou internacionais e há muitas delas aqui em Arusha de excelente qualidade. Há também uma classe média negra em ascensão e essa classe média faz enormes sacrifícios para desembolsar de US$ 4.000,00 até US$ 5.000,00 por ano para colocar seus filhos em boas escolas privadas. Nessas escolas ensina-se praticamente tudo em Inglês. Suaíle é apenas uma das disciplinas.

O dia foi bastante produtivo e interessante. O grupo de IBMistas se dividiu em subgrupos e projetos. Todos foram às salas de aula falarem de seus países e culturas. Alguns fizeram uma brincadeira com legumes, outros com jogos de ciência, outros com origame (do nosso amigo japonês). Eu juntei a criançada e fomos jogar bila (como dizem os cearenses) ou bola de gude (como dizem os paulistas)... ou sei lá se tem mais outros nomes no Brasil. Quem souber de mais nomes coloca nos comentários.

Mas enfim ! Foi divertido ! Um bom programa para quem visitar a região. Nada como conhecer melhor um país do que passar um dia numa escola pública. E óbvio muitas perguntas sobre futebol e “Ronaldos !!!’.

Ah ! Sabiam que o técnico da Seleção de Futebol da Tanzânia é um Brasileiro ? Chama-se Márcio Máximo. Um aluno da escola que me falou...eu não sabia. Depois entrei na Internet e confirmei. Ao menos todos os alunos e professores da escola agora sabem que se fala português no Brasil e que a nossa capital é Brasília.

Por fim, fazer os “uploads” das fotos está bem complicado. Mas estou tentando. Para verem as fotos acessem: http://rodrigo.freitas.barbosa.nafoto.net/

Na próxima falarei da visita ao Orfanato.  Um Abraço !

sábado, 28 de março de 2009

TANZÂNIA 11 - Os desafios da Indústria do Turismo na Tanzânia

Voltando ao trabalho no início dessa semana continuamos nossos estudos sobre como o Turismo na Tanzânia pode ajudar no desenvolvimento do país.

Algumas questões me preocupam: A corrupção; Um Estado que se preocupe com o bem-estar social do povo; Foco do governo em entender e desenvolver a indústria do turismo; E a pulverização dos organismos e associações.

O país precisa de investimentos em infra-estrutura, especialmente nas cidades como: Água tratada; Saneamento básico; Iluminação pública; Melhoramento das estradas (realmente algumas são muito boas) mas outras nem tanto e algumas merecem ser duplicadas devido ao tráfego intenso.

Arusha precisa de avenidas, pois há engarrafamentos durante quase todo o dia. Não há semáforos e os guardas de trânsitos se viram como podem. Um caos ! Não há um programa de educação universal gratuita em todos os níveis. De fato houve um progresso significativo nos últimos 10 anos em educação com a criação de programas de educação primária nas zonas rurais, investimentos privados em escolas secundárias e investimentos públicos em Universidades. Mas de fato a população não tem acesso à escola pública e gratuita e para um país com o nível de pobreza como a Tanzânia isso é um problema grave e que precisa ser revolvido para viabilizar um futuro próspero.

Em Saúde o país precisa investir em educação alimentar (para evitar a desnutrição). O Brasil tem programas nesse sentido que obtiveram muito sucesso nos anos 90 na região Nordeste e seguindo o exemplo do Brasil podia-se diminuir a mortalidade infantil e expectativa de vida da população com programas de educação alimentar e planejamento familiar. Na mesma linha podemos citar o problema da AIDS. Na Tanzânia quase 6% da população está infectada. É um número alarmante, mesmo estando abaixo da média de países como África do Sul , Zimbábue, Namíbia(15% a 18%) e os assombrosos 26,1% da Suazilândia. No Brasil 0,5 % da população tem o vírus HIV. Saneamento Básico inexiste na maioria das cidades e nas periferias das grandes cidades assim como água potável.

Para resolver grande parte desses problemas precisa de investimentos estrangeiros, privados e governamentais e é aí que entra o problema da corrupção. Todos que eu converso aqui citam o problema da corrupção como o mais grave do país. Mas com liberdade de imprensa e democracia, as coisas vêm melhorando.

O segundo ponto é um governo que foque no bem-estar da população. A minha percepção pessoal é que não há um foco em se criar um estado de bem estar social, com educação e saúde pública para toda a população. Investimentos em infra-estrutura nas cidades e transporte público se fazem necessário com urgência. Em Arusha não há um transporte público organizado e as vans lotam as ruas da cidade. Não precisa dizer que não há segurança e o conforto é zero. Mesmo os táxis não há regulamentação. Quando se pega um táxi deve-se negociar o valor antes e pechinchar (apesar de ser barato – os valores podem variar até 50% de um táxi para outro para fazer um mesmo percurso – nessa hora eu sempre digo que sou do Brasil, país pobre e o preços sempre caem).

A INTERNET é um grande problema para atrair turistas internacionais. A cada dia o conceito de férias e trabalho ao redor do mundo se altera. As pessoas tiram férias mais curtas, outras durante as ‘férias precisam estar ligadas de alguma forma ao seu trabalho e outras ainda podem viajar ao redor do mundo sem necessariamente tirar férias. Imaginem o Cris (do time da IBM US). Ele é designer de web e trabalha em regime de home office em Chigago. Nada o impediria de ficar mais alguns dias aqui na Tanzânia trabalhando normalmente do hotel e aproveitando a vida noturna e os finais de semana. Conheço um americano que trabalha home office em NY que passa meses no Brasil, Tailândia e Austrália. “O Mundo é Plano...”. Mas para isso ser viável aqui precisa de INTERNET de qualidade e não há, e parece que não há ainda também uma sensibilização governamental que esse é um tema que prejudica o turismo, educação e atração de empresas.

Existem dezenas de organismos e associações no país e cada um deles não têm força e estrutura suficiente para articular e, principalmente, executar as políticas do desenvolvimento do turismo no país.

Com a pulverização, os organismos perdem força, estrutura, capacidade de atrair investimentos e de influência junto ao governo e empresas privadas que tem interesse no desenvolvimento da indústria do turismo.

Essa semana (a nossa 3ª) vamos focar em preparar um material para entregar a TATO com esses pontos e também pensar como podemos trabalhar o tema do Turismo Solidário ou “Volunteer Tourism”.

Se alguém tiver alguma idéia, deixa um comentário.

Saudações !

sexta-feira, 27 de março de 2009

TANZÂNIA 10 - Parque Nacional do Tarangire - Elefantes !!!

Otem (quinta-feira) após o trabalho aqui na TATO fomos (eu e a Glória) num orfanato na periferia de Arusha junto com um cara que quer desenvolver o “Turismo Solidário” ou como os americanos dizem: “Volunteer Tourism”. Esse é o outro lado da moeda e aí cai a ficha porque estamos num dos países mais pobres do mundo. É para pensar na vida. Amanhã (sábado) ou Domingo todo o time da IBM voltará lá com alimentos e idéias de como essa empresa pode ajudar esse e outros orfanatos ou outros projetos dessa natureza através do turismo. Falo disso para vocês mais adiante.

Quero finalizar o final de semana, pois no domingo fomos ainda ao Parque Nacional do Tarangire. Foram quase duas horas de estrada até chegar lá. Eu daria uma dica para vocês. Deixem o Ngorongoro por último, pois depois dele nada mais surpreende.

Mas de fato o dia foi muito legal. O Parque Nacional do Tarangire tem uma das maiores concentrações de elefantes no mundo. É elefante que não acaba mais !

Tem famílias de elefantes, grupos de elefantes, mães amamentando os filhotes e também elefantes se acasalando e isso é um espetáculo à parte. Às vezes com um pedra !!! Acreditem... acho que tava faltando elefante fêmea no pedaço e um elefante macho que ficamos observando um tanto quanto excitado não contou pipoca, pegou um pedra (verdade uma rocha grande) e mandou ver numa sessão 5 x 1 !!! Impagável !

A paisagem do Tarangire é linda e vai até aonde a vista alcança. Mas tem bem menos animais que a Cratera. Milhares de Elefantes, algumas zebras (bem simpáticas), alguns gnus, alguns javalis e claro babuínos (os meus preferidos !). Nada de leões e leopardos. Também é um dos parques que tem a maior concentração de Baobás. O Baobá é uma árvore enorme que vive em média milhares de anos. Algumas delas estão lá no parque antes do nascimento de Jesus.

No Tarangire dá para almoçar fora do carro e área de piquenique é mais confortável que a da Cratera. Mas o sol estava escaldante. Na saída do parque todos tomarão a melhor Coca-Cola das nossas vidas (bem geladinhas).

Vocês não fazem idéia da quantidade de poeira... O Banho no OutPost Lodge demorou quase 01 hora e depois cama !

Foi um dos finais de semana mais fantásticos da minha vida !

Um Abraço à Todos !