sábado, 28 de março de 2009

TANZÂNIA 11 - Os desafios da Indústria do Turismo na Tanzânia

Voltando ao trabalho no início dessa semana continuamos nossos estudos sobre como o Turismo na Tanzânia pode ajudar no desenvolvimento do país.

Algumas questões me preocupam: A corrupção; Um Estado que se preocupe com o bem-estar social do povo; Foco do governo em entender e desenvolver a indústria do turismo; E a pulverização dos organismos e associações.

O país precisa de investimentos em infra-estrutura, especialmente nas cidades como: Água tratada; Saneamento básico; Iluminação pública; Melhoramento das estradas (realmente algumas são muito boas) mas outras nem tanto e algumas merecem ser duplicadas devido ao tráfego intenso.

Arusha precisa de avenidas, pois há engarrafamentos durante quase todo o dia. Não há semáforos e os guardas de trânsitos se viram como podem. Um caos ! Não há um programa de educação universal gratuita em todos os níveis. De fato houve um progresso significativo nos últimos 10 anos em educação com a criação de programas de educação primária nas zonas rurais, investimentos privados em escolas secundárias e investimentos públicos em Universidades. Mas de fato a população não tem acesso à escola pública e gratuita e para um país com o nível de pobreza como a Tanzânia isso é um problema grave e que precisa ser revolvido para viabilizar um futuro próspero.

Em Saúde o país precisa investir em educação alimentar (para evitar a desnutrição). O Brasil tem programas nesse sentido que obtiveram muito sucesso nos anos 90 na região Nordeste e seguindo o exemplo do Brasil podia-se diminuir a mortalidade infantil e expectativa de vida da população com programas de educação alimentar e planejamento familiar. Na mesma linha podemos citar o problema da AIDS. Na Tanzânia quase 6% da população está infectada. É um número alarmante, mesmo estando abaixo da média de países como África do Sul , Zimbábue, Namíbia(15% a 18%) e os assombrosos 26,1% da Suazilândia. No Brasil 0,5 % da população tem o vírus HIV. Saneamento Básico inexiste na maioria das cidades e nas periferias das grandes cidades assim como água potável.

Para resolver grande parte desses problemas precisa de investimentos estrangeiros, privados e governamentais e é aí que entra o problema da corrupção. Todos que eu converso aqui citam o problema da corrupção como o mais grave do país. Mas com liberdade de imprensa e democracia, as coisas vêm melhorando.

O segundo ponto é um governo que foque no bem-estar da população. A minha percepção pessoal é que não há um foco em se criar um estado de bem estar social, com educação e saúde pública para toda a população. Investimentos em infra-estrutura nas cidades e transporte público se fazem necessário com urgência. Em Arusha não há um transporte público organizado e as vans lotam as ruas da cidade. Não precisa dizer que não há segurança e o conforto é zero. Mesmo os táxis não há regulamentação. Quando se pega um táxi deve-se negociar o valor antes e pechinchar (apesar de ser barato – os valores podem variar até 50% de um táxi para outro para fazer um mesmo percurso – nessa hora eu sempre digo que sou do Brasil, país pobre e o preços sempre caem).

A INTERNET é um grande problema para atrair turistas internacionais. A cada dia o conceito de férias e trabalho ao redor do mundo se altera. As pessoas tiram férias mais curtas, outras durante as ‘férias precisam estar ligadas de alguma forma ao seu trabalho e outras ainda podem viajar ao redor do mundo sem necessariamente tirar férias. Imaginem o Cris (do time da IBM US). Ele é designer de web e trabalha em regime de home office em Chigago. Nada o impediria de ficar mais alguns dias aqui na Tanzânia trabalhando normalmente do hotel e aproveitando a vida noturna e os finais de semana. Conheço um americano que trabalha home office em NY que passa meses no Brasil, Tailândia e Austrália. “O Mundo é Plano...”. Mas para isso ser viável aqui precisa de INTERNET de qualidade e não há, e parece que não há ainda também uma sensibilização governamental que esse é um tema que prejudica o turismo, educação e atração de empresas.

Existem dezenas de organismos e associações no país e cada um deles não têm força e estrutura suficiente para articular e, principalmente, executar as políticas do desenvolvimento do turismo no país.

Com a pulverização, os organismos perdem força, estrutura, capacidade de atrair investimentos e de influência junto ao governo e empresas privadas que tem interesse no desenvolvimento da indústria do turismo.

Essa semana (a nossa 3ª) vamos focar em preparar um material para entregar a TATO com esses pontos e também pensar como podemos trabalhar o tema do Turismo Solidário ou “Volunteer Tourism”.

Se alguém tiver alguma idéia, deixa um comentário.

Saudações !

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